segunda-feira, 21 de maio de 2012

O Manejo e Controle do Caramujo Gigante Africano: qual o melhor método?

Por Msc. Eduardo Colley*


As “medidas de controle de Achatina fulica” podem ser divididas basicamente em três estratégias distintas, e são: controle biológico, controle químico e controle físico.
A execução destas estratégias realizadas em diferentes países tem na maioria dos casos resultado em insucesso. No entanto, existe um grande exemplo de sucesso na erradicação de A. fulica após uma grande infestação que resume bem a receita a ser seguida em busca do controle da espécie invasora. Porém, antes de apresentar a receita do sucesso é importante conhecer outros métodos largamente testados e que resultaram em consequências desastrosas.
O primeiro deles é decorrente da utilização dos inimigos naturais das espécies de Achatina e outros gastrópodes terrestres na tentativa de combater a A. fulica. Vários são os problemas advindos dessa prática. Esta metodologia é denominada de “controle biológico” e inicialmente parece o mais vantajoso, pois utiliza o serviço da natureza, sem mão-de-obra e equipamentos. Entretanto, nestes casos existe o problema da ausência de um agente controlador espécie-específico, ou seja, de um organismo biológico (vírus, bactéria ou animal) que ataque exclusivamente os caramujos da espécie A. fulica. Este pequeno detalhe torna essa alternativa totalmente inviável tento em vista que o agente biológico utilizado pode vir afetar a sobrevivência de inúmeras outras espécies animais e vegetais, além de transmitir doenças para as pessoas. 
Uma segunda alternativa seria a utilização de medidas de “controle químico”, ou seja, a utilização de pesticidas para combater o caramujo invasor. Contudo, o controle químico assim como o método anterior, também não conta com um produto específico para combater a A. fulica. Outro grande problema deste método é que a elevada toxicidade dos venenos existentes e a permanência destas substâncias no ambiente colocam em risco a biodiversidade e a saúde humana.
A última alternativa para o combate do caramujo invasor A. fulica é denominada de “medida de controle físico” que é considerada a menos dispendiosa se comparada aos dois métodos citados anteriormente e ainda possui a vantagem de poder ser adaptado a qualquer condição ambiental. Dentre as medidas de controle físico existentes, a coleta manual é a melhor alternativa para o controle, manejo e erradicação de A. fulica. O melhor exemplo de que a erradicação de A. fulica é possível de ser realizada através da coleta manual é o excelente programa de controle da espécie executado em Miami, Flórida, nos Estados Unidos.
O sucesso desta ação foi resultado de um conjunto de medidas que envolveram primeiramente a detecção precoce, ou seja, o reconhecimento rápido e preciso da introdução da espécie invasora a partir de um estudo prévio sobre a população do molusco e sua distribuição; além de um trabalho contínuo de sensibilização da sociedade através de informações veiculadas pela mídia em toda área afetada com campanhas educativas nas escolas, empresas, comércio, entre outros. A principal medida de controle utilizada foi à coleta manual realizada de forma intensa por profissionais capacitados que também coordenaram a ação. O trabalho contou com a cooperação da comunidade através da catação dos caramujos e eliminação dos pontos que contribuíam para o estabelecimento da população de A. fulica pela manutenção dos terrenos limpos e retirada das plantas exóticas, lixo e entulho.
Esta ação de sucesso contou com a articulação do órgão ambiental e da agricultura Norte-americano como gestores e financiadores de toda campanha.
Semelhantemente, no Brasil o principal articulador nacional é o Ministério do Meio Ambiente (MMA), tem buscado com pouco sucesso o estabelecimento de um marco integrador dos segmentos governamentais envolvidos (MMA, IBAMA, ANVISA, MAPA) com a sociedade. Portanto, no Brasil a realidade de prevenir novas invasões de moluscos terrestres e manejar e erradicar o caramujo africano A. fulica está muito distante de ser alcançada tendo em vista a falta de atitude governamental.
Para que esta ação de manejo, controle e erradicação de A. fulica no Brasil ocorra com sucesso é fundamental que os órgãos governamentais competentes tenham uma mudança radical de mentalidade e executem com seriedade a receita de sucesso realizada em outros países.
Maiores detalhes sobre “medidas de controle de Achatina fulica” podem ser encontradas no livro “O caramujo Gigante Africano no Brasil” https://www.editorachampagnat.pucpr.br/produto.php?dd0=135

*Eduardo Colley é mestre em ciências biológicas pela UFRJ, atualmente é doutorando em Zoologia, pela UFPR, com ênfase em Malacologia. 

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