sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Conexão Premiado no XX SEMIC PUCPR

É com muita satisfação que anunciamos o projeto Conexão Caramujo como um dos premiados do XX SEMIC PUCPR. Foi uma semana de muito trabalho que contou com a apresentação de quase 1000 projetos de iniciação científica em todas as áreas do conhecimento e que contribuiu para o desenvolvimento da pesquisa acadêmica no país. Gostaríamos de agradecer aos órgãos financiadores e à Academia PUCPR pela oportunidade em apresentar da melhor forma a dedicação de um ano de pesquisa.  À Profa. Dra. Marta Fischer, quem idealizou o projeto, um agradecimento especial pela verdadeira orientação. 
Conheça em detalhes o projeto:

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O Caramujo Gigante Africano e Você!

Confira nosso novo material sobre os problemas de saúde relacionados com o Caramujo Gigante Africano! Aproveite e divulgue!



* Disponível para download em vídeo e apresentação de slides




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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Fundação Oswaldo Cruz destaca o Caramujo Gigante Africano

Agência FioCruz publica entrevista com a especialista Silvana Thiengo, que destaca importantes características do Caramujo Gigante Africano.




domingo, 3 de junho de 2012

Relevância da introdução de espécies não nativas e invasões biológicas para as ciências ambientais e necessidades extremas da mudança do panorama atual na América do Sul


Por Jean Ricardo Simões Vitule1,2,3
Laboratório de Ecologia e Conservação, Departamento de Engenharia Ambiental, Setor de Tecnologia, Universidade Federal do Paraná, 81531-970, Curitiba, Paraná, Brasil. E-mail: biovitule@gmail.com
Grupo de Pesquisas em Ictiofauna, Museu de História Natural Capão da Imbuia, Prefeitura de Curitiba, Rua Prof. Benedito Conceição, 407, 82810-080, Curitiba, Paraná, Brasil. E-mail: vabilhoa@uol.com.br
3  P.P.G. Ecologia e Conservação, Setor de Ciências Biológicas, Universidade Federal do Paraná.

Do ponto de vista teórico e aplicado a ecologia de invasões biológicas é um ramo muito relevante e atraente dentro das ciências ambientais modernas e tem gerado idéias, métodos, hipóteses e discussões inovadoras (e.g. Lockwood et al., 2007; Simberloff & Rejmánek, 2011). Já em 1958, Charles S. Elton propôs que os ecossistemas com maior diversidade de espécies seriam menos sujeitos á invasões, uma vez que, por exemplo, nesses há menos nichos disponíveis. Um artigo recente de Eisenhauer et al. (2012) mostra, por meio de um elegante desenho experimental, que a diversidade de espécies poderia estabilizar ou tamponar as comunidades biológicas durante as invasões e mesmo outros tipos de distúrbios. Neste contexto, parece que a biodiversidade dos ecossistemas fornece resistência maior contra novos invasores estrangeiros e outros eventos; infelizmente a grande maioria dos estudos com invasões se concentra em países ricos e de baixa diversidade biológica natural (Vázquez & Aragon, 2002; Lövei et al., 2012; Nuñez et al., 2012 in press; Speziale et al., 2012; Vitule et al., 2012 in press). Ao mesmo tempo, a riqueza de espécies não nativas pode causar problemas sérios em um sistema ecológico (Ricciardi, 2005) e amplificar a magnitude de impactos indesejáveis (Simberloff, 2006). Neste sentido, a hipótese de Elton de diversidade estabilizadora não considerou a força de interações ecológicas positivas (+/+) e facilitações (0/+) que podem gerar aumentos na riqueza da comunidade invadida. Assim, recentemente, foi proposta uma hipótese oponente batizada de “fusão invasora” - invasional meltdown: “processo no qual um grupo de espécies não nativas facilita a invasão uma das outras de múltiplas formas, aumentando assim as possibilidades de sobrevivência e/ou impactos ecológicas, e possivelmente a magnitude dos impactos” (Simberloff & Von Holle, 1999). Muitos estudos corroboram ambas as hipóteses supracitadas (e.g. Levine & D’Antonio, 1999), ou seja, este é mais um assunto fervoroso e que merece ser mais explorado na ecologia. Por este tipo de discussão, geração de idéias testáveis, e por vários outros motivos o livro de Elton (1958) é um marco na ecologia de espécies invasoras e, não por acaso, possui moluscos em sua capa e discussões. O livro de Elton  é amplamente reconhecido como marco na ecologia de invasões biológicas, com mais citações do que qualquer outra publicação única sobre o tema na literatura (>1.500 citações internacionais e continua a ser citado mais de 100 vezes por ano em média nos últimos 10 anos; Richardson, 2011). Em termos de estudos teóricos e tomadas de ação ou prevenções contra espécies não nativas e potenciais invasões os países em desenvolvimento, em especial na América do Sul, ainda estão muito inertes e precisam expandir ou modificar sua postura rapidamente (Vitule, 2009; Nuñez & Pauchard, 2010; Vázquez & Aragon, 2002; Lövei et al., 2012; Nuñez et al., 2012 in press; Speziale et al., 2012; Vitule et al., 2012 in press). Assim, notoriamente para países em desenvolvimento e megadiversos, como o Brasil, o mais prudente seria a precauções contra a introdução de novas espécies não nativas e a tomada de ações, estudos e manejo rápidos e eficientes no caso de invasões já relatadas. Infelizmente, o que temos visto e relatado, notoriamente por parte dos políticos e governantes no Brasil são ações rápidas e eficazes no sentido contrário (Magalhães et al. 2011; Vitule et al. 2012 b).

Literatura usada:
Eisenhauer N, Scheu S, & Jousset A (2012) Bacterial diversity stabilizes community productivity. PloS one, 7 (3) PMID: 22470577
Elton, C. S. (1958) The ecology of invasions by animals and plants. London: Methuen.
Levine, J. M., & D’Antonio, C. M. (1999) Elton Revisited: A review of evidence linking diversity and invasibility. Oikos, 87, 15-26.
Lockwood, J. L., Hoopes, M. F., & Marchetti, M. P. (2007) Invasion Ecology. Malden: Blackwell Publishing.
Magalhães, J. L. B., Casatti, L., & Vitule, J. R. S. (2011) Alterações no Código Florestal Brasileiro Favorecerão Espécies Não-nativas de Peixes de Água Doce. Natureza & Conservação, 9, 121-124.
Richardson, D. M. (2011) Fifty Years of Invasion Ecology: The Legacy of Charles Elton. Oxford: Wiley- Blackwell.
Ricciardi, A. (2005) Facilitation and synergistic interactions between introduced aquatic species. In H. A. Mooney, R. N. Mack, J. A. McNeely, L. E. Neville, P. J. Schei & J. K. Waage, (Eds.). Invasive alien species a new synthesis. Washington: Island Press.
Simberloff, D. (2006) Invasional meltdown 6 years later: Important phenomenon, unfortunate metaphor, or both? Ecology Letters, 9, 912-919.
Simberloff, D., & Von Holle, B. (1999) Positive interactions of nonindigenous species: Invasional meltdown? Biological Invasions, 1, 21-32.
Simberloff, D., & Rejmánek, M. (2011) Encyclopedia of Biological Invasions. California: University of California Press.
Speziale, K. L., Lambertucci, S. A., Carrete, M., & Tella, J. L. (2012) Dealing with non-native species: what makes the difference in South America? Biological Invasions, Online First
Vázquez, D. P., & Aragón, R. (2002) Introduction to special issue on biological invasions in southern South America. Biological Invasions, 4, 1–5.
Vitule J. R. S. (2009) Introdução de peixes em ecossistemas continentais brasileiros: revisão, comentários e sugestões de ações contra o inimigo quase invisível. Neotropical Biology and Conservation, 4, 111-122.
Vitule, J. R. S., Skóra, F., & Abilhoa, V. (2012a) Homogenization of freshwater fish faunas after the elimination of a natural barrier by a dam in Neotropics. Diversity and Distributions, 18: 111–120.
Vitule, J. R. S., Lima Junior, D. P., Pelicice, F. M., Orsi, M., & Agostinho, A. A. (2012b). Preserve Brazil's aquatic biodiversity. Nature, 485, 309-309.
Vitule, J. R. V., Freire, C. A., Vazquez, D. P., Nuñez, M. A., & Simberloff, D. (2012) Revisiting the potential conservation value of non-native species. Conservation Biology, in press.
Leia mais em:

http://stopstocking.cowyafs.org/
http://stopstocking.cowyafs.org/?p=390 
http://www.institutohorus.org.br/index.php?modulo=inf_textos_leitor_peixes
http://www.oeco.com.br/salada-verde/25845-projeto-de-lei-quer-introduzir-especies-exoticas-em-represas
http://ecoratorio.blogspot.co.uk/

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O Manejo e Controle do Caramujo Gigante Africano: qual o melhor método?

Por Msc. Eduardo Colley*


As “medidas de controle de Achatina fulica” podem ser divididas basicamente em três estratégias distintas, e são: controle biológico, controle químico e controle físico.
A execução destas estratégias realizadas em diferentes países tem na maioria dos casos resultado em insucesso. No entanto, existe um grande exemplo de sucesso na erradicação de A. fulica após uma grande infestação que resume bem a receita a ser seguida em busca do controle da espécie invasora. Porém, antes de apresentar a receita do sucesso é importante conhecer outros métodos largamente testados e que resultaram em consequências desastrosas.
O primeiro deles é decorrente da utilização dos inimigos naturais das espécies de Achatina e outros gastrópodes terrestres na tentativa de combater a A. fulica. Vários são os problemas advindos dessa prática. Esta metodologia é denominada de “controle biológico” e inicialmente parece o mais vantajoso, pois utiliza o serviço da natureza, sem mão-de-obra e equipamentos. Entretanto, nestes casos existe o problema da ausência de um agente controlador espécie-específico, ou seja, de um organismo biológico (vírus, bactéria ou animal) que ataque exclusivamente os caramujos da espécie A. fulica. Este pequeno detalhe torna essa alternativa totalmente inviável tento em vista que o agente biológico utilizado pode vir afetar a sobrevivência de inúmeras outras espécies animais e vegetais, além de transmitir doenças para as pessoas. 
Uma segunda alternativa seria a utilização de medidas de “controle químico”, ou seja, a utilização de pesticidas para combater o caramujo invasor. Contudo, o controle químico assim como o método anterior, também não conta com um produto específico para combater a A. fulica. Outro grande problema deste método é que a elevada toxicidade dos venenos existentes e a permanência destas substâncias no ambiente colocam em risco a biodiversidade e a saúde humana.
A última alternativa para o combate do caramujo invasor A. fulica é denominada de “medida de controle físico” que é considerada a menos dispendiosa se comparada aos dois métodos citados anteriormente e ainda possui a vantagem de poder ser adaptado a qualquer condição ambiental. Dentre as medidas de controle físico existentes, a coleta manual é a melhor alternativa para o controle, manejo e erradicação de A. fulica. O melhor exemplo de que a erradicação de A. fulica é possível de ser realizada através da coleta manual é o excelente programa de controle da espécie executado em Miami, Flórida, nos Estados Unidos.
O sucesso desta ação foi resultado de um conjunto de medidas que envolveram primeiramente a detecção precoce, ou seja, o reconhecimento rápido e preciso da introdução da espécie invasora a partir de um estudo prévio sobre a população do molusco e sua distribuição; além de um trabalho contínuo de sensibilização da sociedade através de informações veiculadas pela mídia em toda área afetada com campanhas educativas nas escolas, empresas, comércio, entre outros. A principal medida de controle utilizada foi à coleta manual realizada de forma intensa por profissionais capacitados que também coordenaram a ação. O trabalho contou com a cooperação da comunidade através da catação dos caramujos e eliminação dos pontos que contribuíam para o estabelecimento da população de A. fulica pela manutenção dos terrenos limpos e retirada das plantas exóticas, lixo e entulho.
Esta ação de sucesso contou com a articulação do órgão ambiental e da agricultura Norte-americano como gestores e financiadores de toda campanha.
Semelhantemente, no Brasil o principal articulador nacional é o Ministério do Meio Ambiente (MMA), tem buscado com pouco sucesso o estabelecimento de um marco integrador dos segmentos governamentais envolvidos (MMA, IBAMA, ANVISA, MAPA) com a sociedade. Portanto, no Brasil a realidade de prevenir novas invasões de moluscos terrestres e manejar e erradicar o caramujo africano A. fulica está muito distante de ser alcançada tendo em vista a falta de atitude governamental.
Para que esta ação de manejo, controle e erradicação de A. fulica no Brasil ocorra com sucesso é fundamental que os órgãos governamentais competentes tenham uma mudança radical de mentalidade e executem com seriedade a receita de sucesso realizada em outros países.
Maiores detalhes sobre “medidas de controle de Achatina fulica” podem ser encontradas no livro “O caramujo Gigante Africano no Brasil” https://www.editorachampagnat.pucpr.br/produto.php?dd0=135

*Eduardo Colley é mestre em ciências biológicas pela UFRJ, atualmente é doutorando em Zoologia, pela UFPR, com ênfase em Malacologia. 

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Espécies Exóticas – A Globalização Invasora

                Por Letícia Caires

       Considerada a segunda maior causa da perda de biodiversidade no mundo, ficando atrás somente da destruição direta de habitats, a invasão de espécies exóticas é fruto de ações diretas ou indiretas do homem desde o início das grandes colonizações. Hoje, com o advento da globalização e de tecnologias que dominam cada vez mais um número maior de ambientes, tornou-se praticamente impossível controlar o avanço destas “invasões”.
Fonte: Divulgação
O Ministério do Meio Ambiente, ao discorrer sobre o assunto, destaca a diferença entre espécies invasoras e espécies exóticas invasoras. No contexto do primeiro termo estão todas aquelas espécies que estão fora de seu ambiente natural, de distribuição endêmica. No caso das espécies exóticas, uma vez fora de seus habitats, causam prejuízos e desequilíbrio biológico por competirem diretamente com a fauna e flora nativa. Tendo em vista ainda que, ao se instalarem em um novo ambiente, estas espécies não tem predadores naturais, ocorre uma grande dispersão e, muitas vezes, o sucesso definitivo do invasor.
                      Foi o que ocorreu com o Caramujo Gigante Africano, que encontrou um ambiente favorável, ausência de predadores eficientes e ainda, a ajuda da mão humana para se dispersar. É, hoje nossos amigos contam com a eficiência dos transportes e podem inclusive viajar pelas mais diversas vias, aérea, aquática, terrestre. E assim desbravam os continentes.
Segundo a base do Global Invasive Species - ISSG , a Achatina fulica está dentre as 100 piores espécies invasoras.
Algumas espécies da lista são velhos conhecidos da população brasileira como o mosquito transmissor da malária – gênero Anopheles. Mas é de suma importância que esta mesma população tenha a consciência da responsabilidade da ação humana sobre os impactos ecológicos causados no meio ambiente. Por vezes, a simples ação curiosa de uma criança ou a expectativa de novos ganhos financeiros com uma nova criação, são suficientes para disseminar uma espécie fora de seu local de origem e iniciar um ciclo sem controle. Isso significa prejuízos econômicos e de saúde, sem contar os imensuráveis danos ambientais.
            É nesse sentido que este Blog se propõe a contribuir, informando e conscientizando o maior número de pessoas que por sua vez, também se preocupem em repassar constantemente o conhecimento a fim de evitar o maior e mais irreparável dos prejuízos: o da vida.

Leia mais em:
http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx - EDIÇÃO 2234 INVASORES MORTAIS

Ao utilizar estas informações, cite a fonte!

CAIRES, Letícia. Espécies Exóticas  –  A Globalização Invasora. Disponível em: <http://conexaocaramujo.blogspot.com/2012/01/especies-exoticas-globalizacao-invasora.html>. Acesso em: (DATA)